Debate sobre religião e Estado marca a roda de diálogo “Fundamentalismo: a pedra no caminho da nossa liberdade e autonomia”

Por Gabriela Falcão*

Dezenas de mulheres estiveram presentes na tarde desta quarta-feira na roda de diálogo “Fundamentalismo: a pedra no caminho da nossa liberdade e autonomia”, que integrou a programação de atividades autogestionadas da Marcha das Margaridas. Facilitada pela Articulação de Mulheres Brasileiras, foi marcada por uma vasta discussão sobre como o fundamentalismo religioso tem interferido na vida das mulheres. Segundo Jolúzia Batista, uma das organizadoras da roda, o momento era de dialogarem como o fundamentalismo tem se materializado na vida das mulheres e tem atuado no retrocesso de seus direitos através, por exemplo, da reforma da previdência, que quer recondicionar as mulheres ao papel de subalternidade e doméstico do cuidado.

Para Lara Buitron, que estava presente e que integra o coletivo feminista pernambucano Mulesta, “O papel desse espaço é justamente fazer as mulheres pensarem como a religião não pode estar atrelada ao Estado. Os fundamentalismos estão aí a favor do capital e têm oprimido a gente. Eu acho que essa também é uma oportunidade da gente pensar sobre a autonomia dos nossos corpos porque a culpa cristã é institucionalizada”.

No intuito de provocar o debate, ativistas de áreas distintas fizeram uma análise dos fundamentalismos a partir de suas áreas de atuação. São elas: ativismo negro, religião, psicologia, pesquisa sobre aborto e ativismo em comunicação. Foi colocado como a cultura de ódio vivida atualmente no Brasil tem estado atrelada ao cristianismo e que a pauta religiosa tem estado atrelada à econômica para favorecer determinados projetos políticos que beneficiam uma minoria. A integrante da Organização Não-Governamental Católicas pelo Direito de Decidir, Rosângela Talib, pontuou que, nesse momento no país, podemos pensar em como retribuir todo esse ódio com afeto. A pastora Romi Bencke, em alusão ao que o presidente Jair Bolsonaro falou de indicar para composição do Supremo Tribunal Federal um ministro terrivelmente evangélico, disse que ela e outras que têm travado o debate sobre o fundamentalismo são terrivelmente evangélicas feministas. Ela reitera que: “Pastora não é ser antimulher, não é ser anti movimento LGBTI. Tudo isso que falam que tem nome na tradição cristã e ataca o outro é o anticristianismo e a gente precisa denunciar isso como anticristianismo em claro e bom som. A prática de ódio, que legitima a violência contra a mulher, que nega que as mulheres tenham direito ao aborto seguro e legal, esse cristianismo é contra Jesus Cristo”. As falas foram seguidas de debate entre as participantes.

 

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*Gabriela Falcão é jornalista e integra a Articulação de Mulheres Brasileiras. Este texto faz parte de cobertura colaborativa realizada pela Coletiva de Comunicação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), em parceria com Universidade Livre Feminista (ULF) e Blogueiras Feministas, organizada especialmente para cobrir a Marcha das Mulheres Indígenas, a Marcha das Margaridas e o lançamento da Frente Parlamentar Feminista Antirracista com Participação Popular.

Expediente

Coordenação Geral: Cris Cavalcanti (PE); Texto: Fran Ribeiro (PE), Gabriela Falcão (PE), Carmen Silva (PE); Laura Molinari (RJ), Carolina Coelho (RJ), Raquel Ribeiro (RJ), Angela Freitas (RJ), Rosa Maria Mattos (RJ), Thays Andrade (CE), Milena Argenta (DF) e Priscila Britto (DF); Fotos: Carolina Coelho (RJ), Rayane Noronha (RN) e Fran Ribeiro (PE); Vídeo: Déborah Guaraná (PE), Cris Cavalcanti (PE), Fran Ribeiro (PE), Milena Argenta (DF), Carolina Coelho (RJ) e Raquel Ribeiro (RJ); Edições: Déborah Guaraná (PE) e Coletivo Motim (RN); Diagramação: Déborah Guaraná (PE), Bibi Serpa, Cris Cavalcanti (PE) Sites e Redes Sociais: Cristina Lima (PB), Cris Cavalcanti (PE), Analba Brazão (PE), Emanuela Marinho (PE), Luna Costa (RJ); Produção: Mayra Medeiros (PE) e Masra Abreu (DF);

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