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I Enamb
2º ENAMB
Histórico da AMB

Desde sua criação, em 1994, a AMB vem atualizando periodicamente seu programa de ação, sendo parte de sua prática política a mobilização dos movimentos de mulheres para formularem objetivos comuns.

Em 1994, organizações feministas diversas lançaram como objetivo o fortalecimento das organizações de mulheres brasileiras no contexto pré-Beijing. Pela primeira vez, organizações de mulheres de todos os estados brasileiros foram massivamente convocadas e apoiadas nos debates preparatórios a uma conferência das Nações Unidas, processo do qual resultou a criação da própria AMB.

Os anos seguintes foram dedicados a divulgação dos acordos e posterior avaliação dos primeiros 5 anos de implementação da Plataforma de Beijing, no Brasil. Deste primeiro ciclo de atividades resultou o surgimento de muitos novos fóruns e articulações de mulheres nos estados brasileiros, o documento da sociedade civil à Beijing e, no contexto de Beijing 5, a publicação Balanço Nacional: Políticas Públicas para as Mulheres no Brasil %u2013 5 anos após Beijing (AMB, 2000).

Em fins de 1999, fixou-se como objetivo estratégico o apoio e aliança com articulações de mulheres negras no processo de debates preparatórios à Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban (África do Sul, 2001). Nos anos seguintes, deu-se conseqüência a esta aliança promovendo-se o debate sobre a questão racial entre feministas e destas junto a seus parceiros, do que são exemplos os diálogos anti-racismo, em parceria com o Observatório da Cidadania. Resultam daí três diálogos nacionais; as publicações Mulheres Negras: um retrato da discriminação racial no Brasil (AMB,2001), no contexto da Conferência de Durban, e Sonhar o futuro, mudar o presente (Ibase, AMB, outros, 2003); e ainda o posicionamento da AMB como uma articulação feminista anti-racista.

Em abril de 2000, na V Reunião Nacional da AMB, da qual participaram uma representante indicada por cada fórum e articulação estadual de mulheres, fixava-se novo objetivo estratégico: a realização de uma conferência nacional de mulheres que sintetizasse em uma plataforma a agenda feminista de longo prazo e ainda apresentasse as mulheres como sujeitos políticos no contexto eleitoral de 2002. Secundariamente, acordou-se como prioridade o desenvolvimento de uma metodologia de monitoramento para as plataformas de ação decorrentes das conferências do Ciclo Social das Nações Unidas e ações de debate entre movimentos sociais, no campo internacional, através do Fórum Social Mundial.

O principal resultado das decisões daquele ano foi a Plataforma Política Feminista, construída no processo da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras (CNMB), Brasília, junho de 2002, ano no qual comemorava-se os 70 anos da conquista do voto feminino no Brasil.

O processo da Conferência trouxe em seus desdobramentos novos desafios para a AMB. A política de aliança levada a cabo culminou com dez (10) redes nacionais integrando a comissão organizadora da CNMB, exigindo capacidade de diálogo e negociação, e conferindo a AMB grande centralidade no processo.

A dinâmica e metodologia da CNMB reforçou o campo de articulação entre as ações nacionais e as ações estaduais dos movimentos de mulheres, integrando representantes locais de distintas redes nacionais.

 Os debates realizados nos espaços públicos das conferências estaduais e nacional também exigiram e contribuíram para o amadurecimento das práticas dos movimentos sociais na convivência com a pluralidade, e certamente %u201Ccontribuiu para a democratização do feminismo%u201D (Maria Betânia Ávila, lançamento da Plataforma, Brasília, agosto de 2002).

A AMB e os fóruns estaduais tornam-se, neste processo, referências importantes nos debates que se seguiram à Conferência, para apresentação da Plataforma à sociedade. AMB e fóruns apresentaram-se como sujeitos políticos que refletem sobre as contradições entre o país, tal qual está, e o país desejado pelo projeto feminista.

No contexto eleitoral de 2002, a AMB ganha visibilidade nos estados e, no plano nacional, a secretaria executiva passa a ser demandada para debates locais e para interlocução com algumas das candidaturas à presidência da República.

No ano de 2003, seguem-se a estas  demandas novas exigências, entre elas a de responder ao desafio de fortalecer a presença feminista nos fóruns e articulações estaduais, aprofundar a democracia interna à AMB, manter interlocução e parcerias com outras redes nacionais de mulheres e iniciar interlocução com o novo governo, no sentido de implementar os eixos de prioridades da Plataforma Política Feminista.

Neste período, surgem, no âmbito internacional, novos desafios a partir da criação da Articulação Feminista Marcosur e do Fórum Social Mundial. A Articulação Marcosur é conseqüência dos diálogos e alianças na América Latina, no processo Beijing. Constituiu-se em 2000, por organizações, coordenações nacionais e redes feministas do Uruguai, Brasil, Chile, Paraguai, Argentina, Bolívia e Peru. Considera prioridades os processo de integração do Mercosul e o Fórum Social Mundial, no qual lança, em 2001, a Campanha Tua Boca Fundamental Contra os Fundamentalismos. 

A AMB torna-se parceira nas ações da campanha e no diálogo e reflexão da Articulação Feminista Marcosur em sua ação no Comitê Internacional do FSM. No plano nacional, a AMB mantém representação própria no Conselho Brasileiro do Fórum. Por esta incidência, coube à Articulação de Mulheres Brasileiras a coordenação da reunião de 23 redes feministas, de todos os continentes,  realizada no período do III FSM. Esta ação se desdobrou em encaminhamentos que já estão sendo efetivados, em preparação ao Fórum Social Mundial de 2004, na Índia.

No mesmo período, 2000/2002, distintas reuniões nacionais refletiram sobre o tema do monitoramento da cidadania das mulheres e concluiu-se, em abril deste ano, um primeiro esboço da proposta. Sua marca fundamental é a compreensão do monitoramento como prática política de avaliação da cidadania das mulheres, e não a produção de dados ou índices de cumprimento de acordos e tratados por parte dos governos. Este caminho afirma a identidade dos fóruns e articulações estaduais, e da própria AMB, como espaço do debate público feminista, deixando a ongs, institutos de pesquisas e centros acadêmicos o campo de trabalho relativo à produção de informação e dados. Aos espaços de debate do movimento, organizados como eventos de monitoramento, cabe a reflexão e interlocução com pesquisadores/as e as próprias mulheres, na interpretação da realidade e no posicionamento político frente a esta. Consolidar uma tal metodologia torna-se prioridade no decorrer de 2003.

Com base na reflexão desta trajetória e dos desafios dela derivados, o Comitê Político Nacional da AMB, em sua VIII Reunião Nacional (Brasília, 26 e 27 de abril de 2003) pautou a intervenção da AMB para os próximos dois anos fixando a orientação pelo fortalecimento da identidade feminista da AMB, a defesa de direitos das mulheres junto ao governo federal e a incidência sobre o contexto internacional. Em termos de orientação geral o Comitê firmou a implementação da Plataforma Política Feminista como horizonte.

Histórico da Articulação de Mulheres Brasileiras elaborado pela Secretaria Executiva Nacional em junho de 2003.



Feministas se encontram em Olinda para debater Justiça Socioambiental, Desenvolvimento e Luta antirracista
O SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia e a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) realizam, de 16 a 18 de junho de 2010, o Seminário Nacional Justiça socioambiental e desenvolvimento: reflexões a partir do feminismo antirracista. O evento reunirá 60 feministas de vários estados brasileiros no Hotel Sete Colinas, em Olinda, Pernambuco. A participação é restrita para pessoas já inscritas. 
 
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