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2º ENAMB
Alternativas à Globalização - textos

12.03.10 - Alai - Alternativas civilizatórias: os velhos novos sentidos de humanidade - América Latina en Movimiento No. 453 - Edição digital (em pdf).

Resumo da edição - O sistema-mundo moderno, capitalista, que subordinou o resto do planeta a partir da colonização europeia ao que hoje se chama América Latina, registra de maneira simultânea uma crise em todos os planos (econômica, ambiental, alimentar, migratória, ética e um grande 'etc').

É por isso que hoje se fala de crise civilizatória, pois já não se trata de um ciclo de crise, o qual abre perspectivas à formulação de alternativas paradigmáticas. Neste contexto, a cosmovisão de nossos povos ancestrais tem cobrado pela vigência, como é o Sumak Kawsay - que em nossa edição anterior (América Latina en Movimiento No. 452) foi apresentado como 'recuperar el sentido de vida', isso porque para o padrão dominante a premissa é: 'para vivir, hay que matar'. 

Pela importância do tema, a edição 453 é uma continuidade/complemento, para destacar que na atualidade um dos desafios centrais da humanidade passa por decantar alternativas civilizatórias.

Conteúdo

-Alternativas a la crisis de la modernidad / colonialidad (Roberto Espinoza)
-El Sumak Kawsay desde la visión de mujer (Blanca Chancosa)
-La cosmovisión maya de cara a la crisis de la modernidad (Rocizela Pérez Gómez)
-Entrevista con Ati Quigua 'Alcanzar la paz en armonía con el orden natural' (Ismael Paredes)
-Tenemos que empezar la carrera por la vida (Vinicius Mansur)
- Fundamentos de la plurinacionalidad (Bolívar Beltrán)
- Paraguay: entrevista con Ramón Fogel: La fuerza de la cultura guaraní (Sally Burch)
- Declaración Universal del Bien Común de la Tierra y de la Humanidad (Miguel D'Escoto y Leonardo Boff)

|Publicado: 15.05.08

Cúpula dos Povos - Enlaçando Alternativas 3 - Lima, Peru - 13 a 16 de Maio de 2008

Com cerca de cem atividades autogestionadas inscritas, além de atos culturais, forúns e plenárias, a Cúpula dos Povos teve como objetivo fortalecer os movimentos sociais, particularmente no país onde se realiza, buscando contribuir para a ação política articulada entre  organizações da América Latina, e entre essas e diversos movimentos sociais do continente europeu que estão presentes na Cúpula.

No Enlaçando Alternativas 3 aconteceu o Tribunal Permanente dos Povos, desta vez voltado para o julgamento ético das empresas transnacionais, que violam direitos trabalhistas, políticos, econômicos, sociais e ambientais dos povos. Foram apresentados cerca de 30 casos. O GT Serviços da Rebrip apresentou o caso da transnacional SUEZ.

Leia abaixo as matérias publicadas no boletim Articulando Eletronicamente, da AMB, editado a partir de informações de Silvia Camurça (secretaria executiva da AMB) e de Ana Paula Portella (SOS Corpo/GTServiços da Rebrip - Rede Brasileira pela Integração dos Povos), que participaram da Cúpula dos Povos em Lima, Peru, entre 13 e 16 de maio de 2008.

O 'clima' da abertura da Cúpula dos Povos - Em meio a rumores de que o encontro poderia ser reprimido pela polícia, foi aberta esta semana (13), em Lima, capital do Peru, a 'Cúpula dos Povos 'Enlaçando Alternativas 3' (Cumbre de los Pueblos, em espanhol) que seguirá até esta sexta, dia 16. O governo do presidente Alan Garcia colocou todos os obstáculos possíveis para impedir que o encontro se realizasse, a ponto de a coordenação só conseguir definir o local da Cúpula - a Universidade Nacional de Engenharia - há uma semana, o que gerou a necessidade de improvisação  na montagem da infra-estrutura.

Mas o contexto requer muito mais do que a criatividade das/dos participantes. Frente à proibição do Governo para manifestações de rua, o ato de abertura e uma passeata prevista para o encerramento foram canceladas. Haverá apenas um ato na Praça Dois de Maio, no centro da cidade, mas não será possível locomoção para as/os participantes da Cúpula. E a polícia deverá estar por lá.

Em paralelo ao Enlaçando, está acontecendo um encontro de povos indígenas, com cerca de 2 mil participantes, que deverão se juntar ao ato da Praça Dois de Maio e terão que ir caminhando... Entre as/os participantes da Cúpula, ainda não se sabe a possibilidade real deste ato unitário ou mesmo se isso será motivo para a polícia impedir o ato.

A V Cúpula América Latina - União Européia, que reúne os chefes de Estado das duas regiões, começou ontem (14), também em Lima. E como forma de reprimir manifestações contrárias, o presidente peruano decretou feriado nacional nesta quinta e sexta. Com este quadro, pode-se ver quanto de importância passa a ter, nesta Cumbre, o debate sobre a criminalização dos movimentos sociais.
Com informações de Ana Paula Portella (SOS CORPO e GT Serviços da REBRIP - Rede Brasileira pela Integração dos Povos) diretamente de Lima, no Enlaçando Alternativas 3.

Acordo comerciais UE - ALC: caminhos por onde avança o  'livre'  comércio

A derrocada da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) pela força dos movimentos sociais fez crer, para muitos setores, que o modelo de acordo comercial proposto pelos Estados Unidos estava também derrotado. Esta Cúpula dos Povos está demonstrando que não.

A União Européia está agora estabelecendo, com países da América Latina, regras que repetem o mesmo modelo: benefício para as transnacionais em detrimento das economias locais. Diferentes da ALCA , que tentava negociar com toda a América Latina ao mesmo tempo, os acordos União Européia %u2013 América Latina e Caribe tem acontecido em três blocos de países: os países do Mercosur, os países andinos e os países da América Central. Entretanto, nos três blocos, a agenda é a mesma: comércio, política e cooperação. Nestes fóruns comerciais entre países prevalece a perspectiva de integração focada no comércio, em detrimento de qualquer discussão sobre direitos das populações latino-americanas.

As estratégias de atuação dos movimentos frente a esses acordos diferencia-se da estratégia da Campanha contra a ALCA, e fica evidente a importância de os movimentos sociais latino-americanos atuarem nacionalmente, tanto nos países latinos e caribenhos como europeus, para dar visibilidade das contradições do processo para a sociedade de cada país. A Cumbre de Los Pueblos coloca em debate se é possível um movimento bi-continental, Europa-América Latina e Caribe, que possa fazer frente ao processo de avanço dos acordos, atuando-se nacionalmente, em cada continente e no âmbito mundial.

GT Serviços - Rebrip - Também presente na Cúpula dos Povos, o GT Serviços da Rebrip realizou dia 13, primeiro dia do Enlaçando Alternativas 3, um painel sobre os acordos comerciais entre a União Européia e a América Latina. Entre os subsídios distribuídos, o texto 'Mercosur - Unión Européia: los riesgos del acuerdo en servicios'.

Cúpula dos Povos EA3: a visibilidade do Movimento de Mulheres Único segmento a organizar um espaço próprio, os movimentos de mulheres latino-americanos estão presentes no Enlaçando Alternativas 3 também nas atividades organizadas na %u201CCarpa (tenda, em português) de las Mujeres%u201D,  um espaço com bastante visibilidade e movimentado. Localizada em frente ao teatro que sedia o Tribunal Permanente dos Povos sobre as Transnacionais, a Carpa tem um toldo, logo na entrada, com mesas para mostra de documentos e materiais dos movimentos, além de artesanato e produtos da economia solidária. Nas cores vermelho, roxo e branco, todo em tecido, o espaço da Carpa tem 150 lugares, som, muitas faixas e cartazes. A Carpa é coordenada por um conjunto de organizações do movimento de mulheres em Lima. Sua programação está no sítio eletrônico: www.enlazandoalternativas.org

Desproteção social A Articulación Feminista Marcosur realiza hoje, dia 15, no Enlazando Alternativas 3, o debate 'Enfrentando a desproteção social do trabalho das mulheres no contexto da globalização , com a presença de Lilián Celiberti (Cotidiano Mujer/AFM), que apresentará Crítica ao discurso das políticas públicas de emprego para as mulheres no Uruguai. Também participará do debate Elizabeth P., parlamentar boliviana do partido Movimento para o Socialismo (MAS), que falará sobre os direitos trabalhistas na nova Constituição boliviana.

Do Brasil, Silvia Camurça (SOS Corpo/Articulação de Mulheres Brasileiras), falará sobre a luta pelos direitos das mulheres à Previdência, a partir da experiência da AMB na ação coletiva de resistência organizada pelos  movimentos de mulheres, em 2007 (Fórum Itinerante e Paralelo sobre a Previdência Social). Para Silvia Camurça, considerando o contexto latino-americano, o problema da desproteção social precisa estar na agenda feminista.

Neste Enlaçando Alternativas, além do debate sobre desproteção social ao trabalho das mulheres, com foco nas mulheres migrantes, a agenda da Marcosur nesta Cumbre levará para as mesas onde estará representada o debate sobre ' perspectivas para uma nova ordem econômica mundial'  ; e os ' desafios da construção da democracia no contexto dos acordos União Européia-América Latina e Caribe  . Além disso, a AFM está participando de atividades organizadas por redes aliadas, IGTN e CONADES (Conferência Nacional Peru sobre Desarrollo Social), e também com atividade própria organizada em parceria com o Ibase, além de outras ações na Carpa de las Mujeres.

Trabalhadoras domésticas atuam articuladas no EA3 A Confederação Latino-Americana e Caribenha de Trabalhadoras Domésticas (CONLACTRAHO), juntamento com o Sindicato Nacional das Trabalhadoras Domésticas do Peru, organizaram encontro nacional de trabalhadoras domésticas, antes da Cúpula dos Povos, em Lima.

Esse encontro aconteceu dias 8, 9 e 10 de maio e garantiu conteúdo articulado e a presença de muitas mulheres desta categoria de trabalhadoras na Cumbre. A problemática central que trazem para este Enlaçando Alternativas é ' migração versus trabalho doméstico'  e ' discriminação versus trabalho doméstico' , além da violência no trabalho doméstico. São principalmente exploradas as trabalhadoras domésticas migrantes, que estão em grandes centros urbanos localizados dentro e fora do continente latino-americano e caribenho. 

Reunião do Comitê de Mulheres da ASC Dentro das atividades realizadas durante a Cúpula dos Povos, o Comitê de Mulheres da Aliança Social Continental realizou nesta terça e quarta (13 e 14) uma reunião com cerca de 25 mulheres, vindas de oito países, para retomar a discussão sobre o processo de organização do II Encontro de Mulheres da ASC.

O primeiro encontro foi realizado em 2003 e, desde então, vem se tentando organizar o segundo.  A atual coordenação do Comitê assumiu esse compromisso, montando uma comissão de metodologia que já elaborou uma proposta inicial de trabalho, apresentada nessa reunião.

A proposta é que o II Encontro seja realizado imediatamente antes do Fórum Social Hemisférico, na Guatemala, com os objetivos de posicionar a ASC com relação às questões de gênero e das mulheres, fortalecer o campo político feminista frente aos processos de integração e repensar a estratégia do Comitê dentro da própria Aliança e na movimentação social por ela organizada.

Entre os indicativos para o processo, a comissão de metodologia do II Encontro apontou a necessidade de estimular o debate preparatório, considerando as seguintes questões: como o feminismo se posiciona diante da ASC; o que nos une e o que podemos construir juntas; objetivos centrais  do Comitê de mulheres; definição dos eixos estratégicos e da proposta de ação do Comitê. A data provável do II encontro é 5 e 6 de outubro próximo. Até o final de julho, teses e documentos de debate das redes e dos países devem circular entre todas. Agosto e setembro foi o período sugerido para as reuniões preparatórias de redes e/ou países.

De maneira geral, a proposta da comissão de metodologia já foi aceita pelas mulheres presentes e a reunião do Comitê de Mulheres terminou no dia de ontem, com uma pauta voltada para o detalhamento do processo organizativo do II Encontro.



Feministas se encontram em Olinda para debater Justiça Socioambiental, Desenvolvimento e Luta antirracista
O SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia e a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) realizam, de 16 a 18 de junho de 2010, o Seminário Nacional Justiça socioambiental e desenvolvimento: reflexões a partir do feminismo antirracista. O evento reunirá 60 feministas de vários estados brasileiros no Hotel Sete Colinas, em Olinda, Pernambuco. A participação é restrita para pessoas já inscritas. 
 
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